Após circuit breaker, Durigan vê reação do mercado como efeito de derrota eleitoral
Ministro da Fazenda diz que o governo segue em contato com agentes financeiros e que a compra de cerca de R$ 10 bilhões em títulos buscou reequilibrar a oferta.

A bolsa precisou acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações, depois que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno foi oficialmente confirmada. Nesta terça-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou dar outra leitura ao movimento. Segundo ele, o mercado reagiu mal sobretudo porque perdeu o candidato em que apostava, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Durigan afirmou esperar um “nível de racionalidade” nas decisões dos investidores, à medida que o governo reeleito já começa a anunciar medidas. A declaração, segundo a Gazeta do Povo, veio um dia depois da forte queda, e o ministro disse ter passado a véspera em contato com agentes do mercado financeiro.
Para conter o desarranjo, de acordo com o relato do ministro, a Fazenda atuou em conjunto com o Tesouro Nacional e o Banco Central. A ação incluiu uma operação de recompra de títulos públicos, na casa de R$ 10 bilhões, com o objetivo de reequilibrar a oferta desses papéis no mercado.
No mesmo discurso, Durigan associou a estabilidade dos preços ao compromisso do governo com o centro da meta de inflação, que segundo ele continua sendo o objetivo da gestão. O ponto que fica em aberto é se as medidas anunciadas serão suficientes para convencer os investidores de que esse alvo será perseguido com consistência.
O episódio mostra que a formação de preços de ativos depende tanto do resultado das urnas quanto da previsibilidade das contas públicas. Quem acompanha o tema sabe que a troca de expectativa eleitoral, sozinha, não resolve a dúvida sobre o caminho fiscal.
O que muda para o investidor
O recado mais imediato é que juros e câmbio tendem a seguir atentos não só ao calendário eleitoral, mas também aos sinais da Fazenda e do Banco Central. A recompra de títulos pode aliviar a pressão sobre a oferta de papéis no curto prazo, mas não substitui um quadro fiscal crível no médio prazo. Para quem investe em bolsa, Nasdaq ou dólar, vale acompanhar as medidas que o governo detalhar e o comportamento dos juros longos nas próximas sessões. Esta reportagem não traz recomendação de compra ou venda nem projeção de preços.



