Lula terá 18 meses para equilibrar as contas sob pressão do mercado

Dívida perto de 83% do PIB, Orçamento quase todo travado e alta do dólar após a reeleição colocam o início do quarto mandato sob escrutínio.

Imagem: Gazeta do Povo / reprodução

O quarto mandato de Lula começa em janeiro de 2027 com um problema que o mercado já levou em conta: as contas públicas. Segundo a Gazeta do Povo, o mercado reagiu à reeleição com alta do dólar e queda histórica da Bolsa, o que indica que investidores acompanham de perto a questão fiscal.

Os números de partida são pesados. De acordo com a Gazeta do Povo, cerca de 90% do Orçamento de 2027 já está travado por despesas obrigatórias, e o país registra déficits quase ininterruptos desde 2014. A dívida pública está em torno de 83% do PIB, com projeção de ultrapassar 100% se os gastos não mudarem. Quase metade dessa dívida é corrigida pela Selic, o que torna o custo financeiro sensível às decisões do Banco Central.

No debate, a Gazeta do Povo lista medidas em discussão: revisão da indexação do salário mínimo, reforma dos pisos de saúde e educação, limite às emendas impositivas e mudanças em aposentadorias e benefícios assistenciais. A mesma publicação lembra que cada real de aumento do salário mínimo eleva as despesas da União em centenas de milhões de reais, o que ajuda a explicar por que o tema é tão sensível.

O calendário é apertado. Segundo a Gazeta do Povo, a janela política é estimada em 18 meses, de janeiro de 2027 a meados de 2028, antes das eleições municipais de 2028. Nesse prazo, a publicação aponta o risco de dominância fiscal caso as PECs de desvinculação não sejam enviadas nos primeiros meses. Em termos simples, a política fiscal passaria a limitar a atuação do Banco Central.

A Bloomberg Línea informa que um relatório do BTG Pactual, divulgado na segunda-feira, dia 26, afirma que a escolha de quem comanda a economia define até onde a bolsa pode cair. A mesma reportagem descreve que, sem nomes críveis e medidas fiscais, os juros longos sobem, o real perde valor e o BC tem menos espaço para cortar a Selic.

No cenário mais duro do banco, o Ibovespa chegaria a cerca de 170 mil pontos, sem Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), com o indicador de preço sobre lucro cerca de um desvio-padrão abaixo da média histórica. Ainda segundo a Bloomberg Línea, o real pode perder entre 10% e 15% de valor, e a perda medida em dólar chegaria a cerca de 30%. São projeções de cenário, não garantias de resultado.

O que muda para o investidor

Para quem investe em bolsa, juros e dólar, o ponto central é a sensibilidade do mercado à agenda fiscal nos próximos meses. Se o governo sinalizar medidas críveis, a leitura do relatório sugere menos pressão sobre os juros longos e sobre o câmbio. Sem essas sinalizações, o quadro descrito pela Bloomberg Línea é de juros longos mais altos, real mais fraco e menor espaço para queda da Selic. A notícia não trata da Nasdaq diretamente, mas a variação do dólar afeta quem aplica em ativos no exterior. Vale acompanhar o calendário das propostas fiscais, a evolução da dívida e o comportamento dos juros longos.

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