Netanyahu deve seguir no poder após eleição em Israel, avalia Ben Shapiro, e Irã segue no radar
Em entrevista à Fox, apresentador diz que política externa de Israel não muda com o resultado e que há expectativa de ação contra programas nucleares e de mísseis do Irã.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem chances "extremamente altas" de manter o cargo após a eleição, segundo Ben Shapiro, apresentador do The Ben Shapiro Show. Em entrevista ao programa The Story, da Fox News, ele disse que o resultado pouco altera a relação entre Estados Unidos e Israel e o debate sobre uma eventual retomada da guerra contra o Irã.
Shapiro, que visitou Israel há algumas semanas, foi questionado se o desfecho favorece Netanyahu ou Gadi Eisenkot, que também disputa a liderança no Parlamento. Na avaliação do apresentador, a diferença é pequena no que importa para a política externa: os dois concordam nos três pontos centrais, Irã, Gaza e Líbano. Ele lembrou que Eisenkot também foi líder das Forças de Defesa de Israel (IDF).
O que separa os dois
Segundo Shapiro, as divergências se concentram em temas internos, como a convocação de ultraortodoxos para o Exército, e em questões pessoais, entre elas a investigação a que Netanyahu responde por suspeita de corrupção. O premiê, ressaltou o apresentador, nega as acusações. Do ponto de vista da política, afirmou, "nada muda" conforme quem assuma o cargo.
Shapiro projetou três caminhos para Netanyahu: uma nova eleição, na qual ele permaneceria como premiê interino até o pleito; um governo de unidade, em que presumivelmente seria o chefe do governo; ou uma coalizão que ele consiga costurar atraindo um dos partidos de oposição, o que, segundo o apresentador, já ocorreu antes. Ele avaliou ainda que Eisenkot teve bom desempenho, mas que a oposição, como um todo, ficou abaixo do esperado, mais do que Netanyahu.
Irã: alvos e expectativa de ação
A conversa tratou também da possibilidade de os EUA e Israel retomarem ações militares contra o Irã. Shapiro disse haver "grande expectativa" de que o governo israelense queira agir contra um programa nuclear renovado e contra o desenvolvimento de mísseis balísticos, que, segundo ele, Teerã anuncia abertamente.
Na leitura do apresentador, os alvos que restam no Irã são as fábricas de mísseis balísticos, a instalação conhecida como Pickaxe Mountain, apontada por ele como nuclear, e a ilha de Kharg. Esta última, disse, "devastaria a economia" iraniana, que ele descreveu como já próxima do colapso. Sem mudança de regime, afirmou, não haveria possibilidade de recuperação caso Kharg fosse destruída.
A apresentadora Martha MacCallum disse entender que o presidente Donald Trump avalia todas essas opções e as leva a sério. A transcrição não detalha prazos nem decisões, e a descrição do vídeo menciona relatos de possíveis ataques após as eleições legislativas de meio de mandato de 2026 nos EUA, que estão a poucos dias.
Política americana no debate
O programa também abordou críticas do comentarista Hasan Piker ao quadro eleitoral israelense. Shapiro rejeitou a ideia de que Trump seja conduzido por Israel, chamando-a de "absurda", e criticou declarações de aliados de Piker sobre o voto de eleitores judeus em Michigan. São opiniões do apresentador, em um programa de linha conservadora.
Para o investidor, o recado é de continuidade: sem mudança de rumo em Israel, o risco geopolítico no Oriente Médio, em especial em torno do Irã, tende a continuar no radar de bolsas, petróleo e dólar. A transcrição não traz números de mercado, e eventuais ações militares ainda dependem de decisões que não foram anunciadas.



