Cisco diz que menos de 5% da humanidade usa agentes de IA e que a infraestrutura já está toda consumida
Jeetu Patel, executivo da Cisco, afirma ao Yahoo Finance que não vê desaceleração na demanda e aponta segurança dos agentes como o grande desafio.
Jeetu Patel, presidente e diretor de produtos da Cisco, afirmou em entrevista ao Yahoo Finance que não enxerga sinal de desaceleração na demanda por inteligência artificial. Segundo ele, toda a capacidade de infraestrutura disponível está sendo consumida, ainda que apenas uma pequena fração da humanidade use agentes de IA.
Para o executivo, o mercado vive o que seria um segundo momento semelhante ao do ChatGPT, agora com os agentes pessoais. Patel estima que a parcela da população que usa esses agentes está em algo como 2%, 3%, abaixo de 5%. "Imagine quando isso chegar a 15%, 20%, 30%", disse, ao concluir que não vê como o movimento possa perder força em breve e que se trata de uma mudança secular e duradoura.
Agentes que economizam dinheiro
Patel contou ao apresentador Brian Sozzi como usa agentes no dia a dia. Ele deu ao sistema acesso ao e-mail e à agenda pessoais, e afirmou que o valor de um agente é proporcional às ferramentas às quais ele tem acesso. Nos primeiros 30 minutos de uso, segundo o executivo, o agente identificou assinaturas que ele pagava sem usar e propôs cancelá-las, além de desfazer uma assinatura de plano acelerado contratada por engano.
O relato ilustra, na visão do executivo, o potencial de ganho de eficiência com a tecnologia, que já poderia gerar economia imediata para o usuário.
Segurança como tema central
O principal obstáculo, na avaliação de Patel, está no que ele chama de paradoxo das ferramentas: sem acesso a ferramentas, o agente é pouco útil; com acesso, aumenta o risco. Por isso, disse, a delegação confiável precisa ser um problema resolvido. Ele afirmou que segurança dos agentes será "a questão do nosso tempo" e que a Cisco, uma das maiores empresas de segurança do mundo, investe bilhões no tema.
O executivo comparou os agentes a adolescentes, que não temem consequências e exercem julgamento ruim com frequência. Em sua avaliação, é preciso interceptar comportamentos indevidos em tempo real, pois esperar alguns minutos significaria que o dano já está feito.
Patel citou três preocupações. A primeira é que agentes operam em velocidade e escala de máquina, e agentes mal-intencionados também: as defesas cibernéticas, disse, não podem mais ter escala humana. A segunda é que os agentes das empresas atuem dentro de limites e sejam monitorados continuamente. A terceira, menos lembrada, é o uso eficiente de tokens: como os recursos serão finitos, quem os usar de forma menos eficiente terá postura de segurança pior e poderá ser superado por adversários.
Chips mais antigos e escassez
Sozzi mencionou que os preços de GPUs mais antigas da Nvidia dispararam, em parte porque muitos clientes não conseguem obter os chips de que precisam. Patel respondeu que nem toda carga de trabalho exige o chip mais rápido, e que a reutilização de componentes em usos diferentes aumenta a durabilidade desses ativos. Embora o ciclo de lançamento de novos chips esteja em 12 a 15 meses, a vida útil pode chegar a muitos anos, o que faz com que esses equipamentos passem a ser tratados como uma classe de ativos.
Questionado se toda a oferta que entra em operação é consumida de imediato, respondeu que sim. A Cisco, afirmou, se beneficia por produzir o próprio silício de rede, além de sistemas, hardware e software, o que lhe daria uma plataforma verticalmente integrada.
Sobre a próxima surpresa em IA, Patel disse que o mercado tende a pensar a tecnologia de forma linear, ao perguntar o que já faz hoje e pode ser delegado a ela. Para ele, o maior uso virá de insights originais que permitam resolver problemas antes inimagináveis, com avanços em saúde, educação e combate à pobreza. As declarações são do executivo e não foram acompanhadas de dados que as comprovem na entrevista.



