Carville acusa ala radical do Partido Democrata de causar dano irreparável antes das eleições de meio de mandato
Estrategista democrata pede que a esquerda abandone o rótulo do partido, e painel da Fox Business vê legenda dividida e risco fiscal.
O estrategista democrata James Carville disparou contra a ala mais à esquerda do próprio partido às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Em seu podcast, segundo a Fox Business, ele afirmou que os progressistas causaram "dano irreparável" e sugeriu que, se acham o Partido Democrata tão ruim, deveriam buscar outro nome para si em vez de usar a marca da legenda.
O tema foi debatido no programa "Outnumbered", da Fox Business. Na avaliação de uma das apresentadoras, a manifestação de Carville é um gesto de quem quer distanciar a esquerda radical da marca democrata. Ele próprio se descreve como um democrata liberal e, no trecho exibido, cobrou resultados de políticas defendidas por esse grupo, como a mudança de linguagem e o corte de verbas para a polícia.
Agenda da esquerda e a conta pública
O programa listou o que chamou de uma lista de políticas radicais associada a candidatos de extrema esquerda: estatização da saúde, fechamento de presídios, educação e moradia gratuitas, semana de trabalho de 32 horas, Green New Deal, eliminação de fronteiras e do controle de imigração, além da condição de estado para Washington, D.C.
Uma das participantes argumentou que o partido está dividido entre uma ala socialista progressista e uma ala moderada, e que isso favoreceria os republicanos. Segundo ela, os moderados teriam receio de contrariar os socialistas, que, na avaliação do painel, têm força e boa presença pública.
O ponto de maior interesse para o mercado veio do debate sobre o custo do programa de saúde universal. A participante citou um orçamento anual de 77 trilhões (valor dito no programa, sem especificação de moeda ou período além do "anual") e disse que o plano custaria cerca de 4 trilhões, mais da metade do orçamento, o que, em sua avaliação, o país não pode pagar. Ela afirmou ainda que, para financiar a proposta, os impostos subiriam, dobrariam, e o tributo sobre empresas também seria elevado. A fala é uma opinião de painelista, não um cálculo oficial.
Disputa interna e riscos políticos
Outra integrante do painel disse que, caso os democratas vençam na terça-feira, a leitura não será de vitória moderada, mas de deslocamento do partido para a esquerda, justamente o oposto do que Carville pede. Ela citou como desafio para o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, caso se torne presidente da Casa, a tarefa de manter alinhado um grupo de candidatos ligados ao DSA (Democratic Socialists of America). Segundo ela, ao menos seis parlamentares alinhados ao grupo estariam em distritos do DSA.
A mesma participante comparou o cenário ao papel de uma pequena facção na Câmara, lembrando que o Freedom Caucus conseguiu derrubar Kevin McCarthy e que a escolha de um presidente da Casa exigiu 50 votos em 50 rodadas, segundo sua fala no programa. Ela também mencionou a possibilidade de Alexandria Ocasio-Cortez disputar a Presidência em 2028 e afirmou que o avanço do grupo ameaçaria os alicerces do capitalismo e da Constituição.
Para o investidor, o debate indica que a pauta fiscal e tributária segue no centro da disputa eleitoral, com possível efeito sobre expectativas de gastos públicos, carga de impostos sobre empresas e prêmio de risco. O programa, contudo, não tratou diretamente de bolsa, juros ou dólar, e o texto reflete avaliações dos participantes, não projeções de mercado.



