Reportagem do NYT liga aliados de Peltola a candidato de mesmo nome do senador Sullivan no Alasca
Segundo Fox Business, plano para dividir votos em uma das disputas mais importantes do Senado pode ter violado a lei federal; campanha de Peltola nega envolvimento.
Uma reportagem do The New York Times apontou que operativos alinhados à democrata Mary Peltola atuaram para tentar atrair candidatos com o nome do senador republicano Dan Sullivan à disputa do Senado no Alasca. O objetivo, segundo o relato apresentado pela Fox Business, era confundir eleitores e tirar votos do atual senador. O caso envolve uma das corridas mais importantes da Casa.
De acordo com o jornal, no verão do ano passado uma funcionária ligada a Peltola recebeu a orientação de encontrar o maior número possível de pessoas chamadas Dan Sullivan no Alasca. A funcionária teria cruzado registros de eleitores para montar uma lista e, segundo o relato, uma operativa que usava nome falso percorreu o estado tentando convencer essas pessoas a se candidatar. O plano funcionou: um segundo Dan J. Sullivan anunciou candidatura ao Senado.
Governo Trump vai à Justiça
O Departamento de Justiça do governo Trump entrou com ação para tentar impedir que o Alasca certifique o resultado da eleição caso o senador Sullivan perca por margem estreita. A Suprema Corte do Alasca já decidiu que, pela lei estadual, o segundo Sullivan pode concorrer. Na avaliação da Casa Branca, em publicação de seu diretor de comunicação nas redes sociais, trata-se de um plano secreto e corrupto dos democratas. O argumento do governo, segundo a Fox Business, é que a única finalidade dessa candidatura seria confundir eleitores.
O sistema eleitoral do estado amplifica o risco. O Alasca usa primária entre os quatro mais votados e votação por escolha ranqueada, e o Times avalia que a confusão poderia custar ao senador votos decisivos.
Negativas e novos relatos
A campanha de Peltola nega ter qualquer envolvimento com a candidatura de Dan J. Sullivan. Um porta-voz do braço de campanha do Partido Democrata para o Senado afirmou que a entidade não participou e lembrou que os republicanos também já recrutaram e financiaram candidatos para impulsionar suas campanhas. Peltola, antes da reportagem, disse não ver motivo para dúvida de que os alasquianos saberão em quem estão votando.
O Times, porém, baseou-se em entrevistas, mensagens de texto e documentos preparados para uma possível ação judicial contra a campanha. Sua principal fonte é Lisa Rios, ex-gerente de campanha de Peltola, demitida em agosto após uma reformulação da equipe. Segundo a Fox Business, Rios afirmou que Peltola não esteve diretamente envolvida no projeto, mas estava, nas palavras dela, "definitivamente ciente".
Questão legal e reação política
O ex-subprocurador-geral adjunto John Yoo, professor de Direito da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse no programa que a cooperação entre campanha, comitês e grupos aliados, se confirmada nesse nível, pode configurar violação da lei federal de campanhas. Em sua avaliação, os envolvidos poderiam responder por fraude postal e eletrônica, e eventual tentativa de pressionar Rios a retirar seu relato poderia render acusação de obstrução de Justiça. O apresentador resumiu que, nesses casos, o encobrimento pode ser tão grave quanto o ato.
O presidente do comitê republicano para o Senado, Tim Scott, disse que Peltola será cobrada pelo que chamou de desonestidade e engano. Um analista do painel, crítico da reportagem, lembrou que a manipulação de cédulas não é novidade e citou casos em 2022 e na Flórida em 2020, ressalvando que isso não torna a prática correta. A eleição ocorre em seis dias.
O que observar
O vídeo não trata de bolsa, juros, dólar ou contas públicas. Para o investidor, o episódio é um fator de incerteza política: o resultado no Alasca pode influenciar o equilíbrio de forças no Senado americano, e a disputa jurídica sobre a certificação pode atrasar a definição final. Todas as acusações permanecem como alegações, sem decisão judicial até o momento.



