Clarida prevê alta de juros do Fed em dezembro e possível nova alta em março
Ex-vice-presidente do Fed diz à Bloomberg Television que o BC americano pode subir os juros três vezes no total e encerrar o ciclo.
O ex-vice-presidente do Federal Reserve Richard Clarida espera que o banco central americano eleve os juros em dezembro e, dependendo dos dados, volte a fazê-lo em março. A avaliação foi dada na Bloomberg Television, no programa "Bloomberg Surveillance: The Fed Decides".
Segundo Clarida, esse é o cenário que ele e seu grupo têm trabalhado: o Fed iria em dezembro e, a depender do fluxo de indicadores, poderia agir novamente em março. Pelas contas do ex-dirigente, isso somaria três altas no total, e o ciclo se encerraria ali.
Um cenário contra a aposta de "uma e pronto"
Na conversa, o apresentador lembrou que Williams, que tem sido bastante explícito sobre o tema, trabalha com a hipótese de "uma e pronto" como melhor palpite. Também foi citada uma probabilidade de 1 em 10, sem que a transcrição deixe claro a que ela se refere. Clarida foi questionado sobre o seu próprio palpite e respondeu que a trajetória mais provável inclui ao menos a alta de dezembro e uma possível segunda em março.
A leitura dele é que o movimento recuperaria os cortes realizados em 2025. Na época, de acordo com Clarida, esses cortes foram vistos como medidas de gestão de risco, porque o mercado de trabalho parecia estar em deterioração acentuada.
O mercado de trabalho e o conforto do comitê
O argumento central do ex-vice-presidente é que a preocupação que motivou aquelas reduções perdeu força. Clarida afirmou que os dados do mercado de trabalho mostram leituras estáveis ou negativas, mas que isso não reproduz o temor anterior de um colapso do emprego. Sem esse receio de gestão de risco, disse ele, o comitê ganha espaço para retomar a alta.
Para Clarida, o comitê do Fed tem hoje um nível de conforto com esse caminho e provavelmente enxerga as três altas como o destino final do ciclo. Trata-se de uma avaliação pessoal do ex-dirigente, e não de uma sinalização oficial da autoridade monetária.
O apresentador também levantou, ao longo do programa, dúvidas sobre o PIB nominal, que segundo ele vem em patamar elevado, e perguntou quais premissas sustentam a visão de que esse indicador irá desacelerar. Questionou ainda o investimento em capex e o ritmo de gastos das gigantes de tecnologia, temas que seguem em aberto no debate.
Para o investidor, o recado é o de que o debate sobre o fim do ciclo de juros americano segue dividido entre quem vê uma única alta e quem projeta três. Esse desenho afeta as expectativas para os juros longos, o dólar e o apetite por ações de tecnologia, como as listadas na Nasdaq. Cabe acompanhar os próximos indicadores de emprego e inflação, que devem pautar a decisão do comitê.



