Microsoft acelera na nuvem, mas ações recuam; ServiceNow traz projeção cautelosa para o próximo trimestre

Segundo analista da Bloomberg Television, o crescimento em cloud segue forte na Microsoft, enquanto a ServiceNow adota tom conservador na guidance.

Key Takeaways From Microsoft and ServiceNow Earnings Vídeo: Bloomberg Television / YouTube · 37 mil visualizações

A Microsoft apresentou resultados sólidos em nuvem e em investimentos (CapEx), mas suas ações operavam em queda após o balanço. Na avaliação de Anurag Rana, analista ouvido pela Bloomberg Television no programa "Bloomberg The Close", não está claro por que os papéis recuam. Já a ServiceNow divulgou projeção considerada tímida para as obrigações de desempenho remanescentes comerciais (cRPO) do próximo trimestre.

Segundo Rana, a Microsoft foi bem tanto no segmento de nuvem quanto no de CapEx, e as margens parecem ser razoáveis. Para ele, o crescimento em cloud segue muito forte. O analista afirmou ainda que a receita comercial do Microsoft 365 acelerou no trimestre, o que era esperado, e atribuiu boa parte do movimento ao Copilot.

ServiceNow: números do trimestre e cautela à frente

No caso da ServiceNow, Rana avaliou que a guidance para os cRPO do próximo trimestre veio um pouco leve. No trimestre reportado, a companhia teve desempenho adequado, com crescimento de cerca de 21%. O analista disse que é preciso obter mais detalhes sobre por que a empresa adota postura conservadora daqui para frente.

Rana observou que a ServiceNow costuma divulgar projeções mais baixas e depois superar o número quase todos os trimestres. Questionado sobre receitas ligadas a agentes de inteligência artificial, afirmou que a empresa fez várias aquisições nos últimos 12 meses, que podem contribuir para os resultados, e que alguns desses ativos tinham exposição à Europa e a uma desaceleração.

Copilot, escolha de modelos e o peso do segmento corporativo

Sobre o Microsoft 365 Copilot, Rana disse que o crescimento comercial de cerca de 18% ou 19% é muito expressivo para um produto antigo. Segundo ele, a Microsoft permite que clientes escolham o modelo de IA, seja da OpenAI ou da Anthropic. Enquanto essa troca for possível, a companhia mantém grande parte do valor de distribuição, e os clientes não precisam desenvolver essas funções internamente. O analista disse que a empresa não divulgou o número de assentos pagos do Copilot, mas que o tema pode surgir na teleconferência.

Para Rana, o segmento corporativo é o mais relevante e o mais "aderente" da Microsoft, pois empresas não querem entregar aplicativos de consumo a seus funcionários e exigem camadas de segurança. Ele citou esse como um dos principais argumentos da Microsoft para levar clientes a pacotes de maior valor.

O que observar: backlog e demanda corporativa

Rana notou que Microsoft, Alphabet e Amazon têm, cada uma, carteiras de pedidos (backlog) acima de US$ 500 bilhões. Em sua comparação, a Microsoft deve converter essa carteira em receita em prazo mais curto que a Amazon, cuja duração é um pouco maior. Segundo o analista, a Microsoft informou que um terço do backlog deve ser reconhecido nos próximos trimestres, o que pode melhorar a taxa de crescimento frente à rival. Ele mencionou ainda que o RPO da Amazon recuou cerca de US$ 1 bilhão em base sequencial.

O ponto central para o analista é saber quanto desse backlog vem de clientes corporativos, e não apenas de empresas desenvolvedoras de modelos de fronteira. Para o investidor, a leitura é que a sustentação do ciclo de investimento em nuvem e IA, com reflexo sobre a Nasdaq, dependerá da qualidade dessa demanda.

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