Peltz oferece US$ 7,35 por ação para fechar o capital do Wendy's, e big techs de chips recompram as próprias ações
Oferta de grupo liderado pela Trian ainda não é vinculante; Nvidia, Micron e SK Hynix anunciam recompras em meio à queda dos papéis, diz Yahoo Finance.
O investidor ativista Nelson Peltz apresentou uma oferta de US$ 1,4 bilhão para fechar o capital do Wendy's, segundo reportagem citada pelo programa Sozzi Unleashed, do Yahoo Finance. Peltz conhece bem a rede: integrou o conselho por anos e acumulou participação relevante nas ações ao longo do tempo.
Para o apresentador Brian Sozzi, o investidor estaria comprando um problema que ajudou a criar. Ele lembrou seis trimestres consecutivos de queda nas vendas em mesmas lojas, problemas de qualidade da comida, máquinas quebradas e a recuperação judicial de uma das maiores franqueadas da rede, que pretende fechar restaurantes. Na avaliação do apresentador, a conta inclui a pressão que atinge todo o setor de fast food.
Sozzi reconheceu que Peltz merece crédito por campanhas ativistas passadas, como as da Disney e da Procter & Gamble. Ainda assim, afirmou que ele deve ser cobrado pelo desempenho do Wendy's, e deixou aberta a possibilidade de que a gestão como empresa fechada melhore o resultado.
Recompras em série no setor de chips
No mesmo dia da decisão de juros do Federal Reserve, o apresentador apontou sinais de retomada das ações de tecnologia antes dos balanços de Google e Microsoft. O primeiro seria um gráfico do economista-chefe da BCA Research, Peter Berezin, sobre o aluguel de GPUs antigas da Nvidia (Blackwell e H100, da linha Hopper). Os preços estariam subindo, o que, na leitura de Sozzi, contraria a tese de desaceleração da demanda por inteligência artificial, já que clientes não conseguem obter os chips mais novos. Segundo o programa, Berezin, de viés mais cauteloso, não vê um estouro dos investimentos em capex antes de 2028, se é que ele ocorrerá.
O segundo sinal veio da SK Hynix. A fabricante reportou o sexto trimestre seguido de vendas e lucros recordes e disse que recomprará 30 trilhões de wons em ações neste ano, após um programa de 30 a 40 trilhões de wons anunciado em agosto. O papel havia caído 24% no mês anterior ao balanço. O programa também citou retorno de US$ 75 bilhões a investidores via recompras e dividendos.
A Micron, por sua vez, informou em documento regulatório que o conselho autorizou recompras discricionárias de cerca de US$ 35,16 bilhões, o maior teto da história da companhia. As compras devem começar depois de 9 de dezembro, quando terminam restrições ligadas ao Chips Act. A Nvidia, cujas ações recuaram 3% no mês e andam de lado há seis meses, anunciou no fim de setembro um novo programa de US$ 150 bilhões, elevando a autorização total para US$ 235 bilhões.
Leitura para o mercado
Sozzi disse não ser fã de recompras, mas interpretou o movimento como um recado das big techs: elas discordam da queda recente de suas ações e vão agir para contê-la. O terceiro sinal citado foi o prospecto da Anthropic, que, segundo o apresentador, mostra mais de US$ 131 bilhões em caixa e demanda forte no primeiro semestre. Ele também citou reportagem segundo a qual Jamie Dimon, do JPMorgan, terá papel central em levar investidores de varejo à oferta pública da empresa, como já teria feito na estreia da SpaceX em junho.
Entrevistado no programa, Jeetu Patel, presidente e diretor de produtos da Cisco, afirmou não ver desaceleração da demanda. Para ele, o uso de agentes de IA ainda atinge menos de 5% das pessoas e já consome toda a oferta de infraestrutura disponível. Patel defendeu que a segurança de agentes será a questão do momento e disse que chips mais antigos mantêm vida útil de vários anos, o que os torna um ativo duradouro.
Sobre o consumidor, Sozzi descreveu "notável resiliência": as vendas de Coca-Cola Zero subiram 16% no terceiro trimestre, a Hilton registrou gasto forte em quartos e a Delta segue vendo força em assentos premium. Ele atribuiu a essa resiliência a alta das ações de Target e Macy's e a valorização de cerca de 11% do Walmart no mês. Na véspera do balanço da Chipotle, o apresentador disse esperar alta de vendas em mesmas lojas de um dígito baixo, possivelmente insuficiente para o mercado.



