Reeleição de Lula provoca maior salto da história nas taxas do pré-fixado e reacende debate sobre Tesouro

Segundo o Clube do Valor, título pré saltou de 12,89% para 15,78% em dias; para o canal, o erro é apostar toda a carteira em um único cenário.

IPCA+8% ou PRÉ 15%: O ERRO QUE 90% DOS INVESTIDORES COMETE Vídeo: Clube do Valor / YouTube · 54 mil visualizações

O Tesouro pré-fixado com vencimento em 2032, que pagava 12,89% ao ano na sexta-feira, passou a render 15,78% na abertura de segunda-feira, após a reeleição de Lula no segundo turno. Segundo Ramiro Gomes Ferreira, gestor e fundador do Clube do Valor, foi o maior salto da história do Tesouro Direto, superior ao da pandemia, da crise de 2008 e do Joesley Day.

O movimento foi acompanhado por perdas expressivas nos preços. De acordo com o apresentador, o pré-fixado perdeu 11% de valor em um único dia, e o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2050 chegou a cair 23% na abertura de segunda-feira. O IPCA+ 2032 caiu 5%, enquanto o de 2050 fechou em queda de 12,6%, o que, na avaliação do canal, ilustra como títulos mais longos oscilam mais. O Tesouro cancelou os leilões da semana e recomprou quase R$ 15 bilhões em títulos para acalmar o mercado, segundo o vídeo.

O sismógrafo do medo

Para explicar o fenômeno, Ramiro compara a taxa dos títulos a um sismógrafo: quando investidores desconfiam do futuro do país, cobram juros maiores para financiar o governo, as taxas sobem e os títulos já em carteira perdem valor. O apresentador listou episódios dos últimos 12 anos, da reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, à perda do grau de investimento em 2015, do vazamento do áudio de Joesley Batista, em 2017, à pandemia e à alta da inflação de 2021, quando a Selic subiu de 2% para 13,75%.

O gestor citou ainda dezembro de 2024, quando o dólar bateu recorde e, segundo ele, o mercado não acreditou no pacote de corte de gastos do governo Lula. Naquele episódio, o pré chegou a 15,5% e o IPCA+ a 7,8% ao ano. Em março de 2026, a guerra do Irã levou o Tesouro a suspender leilões, exemplo de que os tremores também vêm de fora.

O ciclo recente, descreveu o apresentador, teve duas apostas em três semanas. Antes do primeiro turno, o pré 2032 pagava 14,15%. Com Flávio Bolsonaro na frente, o mercado passou a apostar em um governo mais duro com gastos, e as taxas registraram a maior queda desde 2008. Com a vitória de Lula, o pré fechou a segunda-feira em 15,5%, acima do patamar anterior. O IPCA+ longo, observou, terminou o dia perto do nível pré-primeiro turno.

A conta que, segundo o canal, muitos erram

O erro de cálculo mais comum, na visão do Clube do Valor, é comparar o pré de 15,5% com a soma de 7,8% de IPCA+ e a inflação esperada para o próximo ano (4,34%), chegando a cerca de 12%. Para o apresentador, a comparação correta considera a inflação média esperada até 2032. Com as taxas de segunda-feira, o mercado precificaria cerca de 7% ao ano: o pré só supera o IPCA+ se a inflação média ficar abaixo disso. A inflação em 12 meses está em torno de 4,5%.

Ramiro lembrou que o pré-fixado, que sofreu em vários momentos, foi o destaque de 2025, com alta de 20% nos longos, o melhor resultado em nove anos. Citou também levantamento de 25 anos do boletim Focus, em que a previsão de inflação para o ano seguinte errou, em média, 1,6 ponto percentual.

Para o apresentador, o erro de 90% dos investidores é concentrar toda a carteira em uma aposta sobre o futuro do país. Ele defende que o IPCA+ tenha maior peso para objetivos de longo prazo como aposentadoria, que o pré sirva a metas com valor e data definidos, e que o pós-fixado cubra dinheiro de que se possa precisar a qualquer momento. Segundo ele, os clientes do Clube do Valor mantêm os três tipos de título, com o IPCA+ geralmente em fatia um pouco maior. Trata-se da avaliação do canal, e não de recomendação do jornal.

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