SK Hynix tem memória esgotada até 2029 e projeta escassez até 2030, após lucro operacional recorde

Fabricante sul-coreana diz que memória convencional e de alta largura de banda está vendida; ações sobem cerca de 7%, mas ainda acumulam queda de 24% no mês.

AI memory is now sold out through 2029 | The 8:30 Vídeo: Yahoo Finance / YouTube · 1 mil visualizações

A SK Hynix informou que sua produção de memória convencional e de alta largura de banda (HBM) está vendida até 2029 e que a escassez deve persistir até 2030. O anúncio veio junto com um balanço trimestral acima das expectativas, divulgado na Coreia do Sul, e foi lido pelo mercado como um sinal robusto de demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo o relato do Yahoo Finance, a empresa reportou lucro operacional de 62,5 bilhões (em dólares, conforme citado na transcrição) no trimestre encerrado em setembro, alta de aproximadamente sete vezes e mais de 7% acima das projeções. A companhia também anunciou US$ 4 bilhões adicionais em recompra de ações e dividendos para o restante do ano fiscal, além do que já havia sido divulgado.

O repórter Jake Conley classificou a declaração da gestão como o sinal de demanda que os investidores procuravam. A apresentadora Julie Hyman, porém, chamou atenção para a reação das ações: a empresa costuma divulgar bons resultados a cada trimestre, e o papel nem sempre sobe. Desta vez, a alta foi de cerca de 7%, ganho que ela considerou modesto para os padrões da SK Hynix.

Alívio após a queda

Na avaliação de Hyman, o movimento reflete o momento do mercado: os resultados podem já estar parcialmente precificados, mas, depois de uma forte queda recente, a reação parece mais um sinal de alívio. O rali se estendeu ao índice Kospi e a outras ações de memória. Pras Subramanian lembrou que o papel caiu 24% no mês anterior, sem contar o pregão do dia.

Os apresentadores também associaram a recuperação do setor de IA a notícias recentes, entre elas o documento S-1 da Anthropic, que, segundo eles, mudou a narrativa na segunda-feira. Para o grupo, o fato de um cliente relevante dos fornecedores de chips ter cerca de US$ 100 bilhões em caixa sugere que o financiamento do setor é mais sólido do que se supunha.

Houve ressalvas. Um dos participantes lembrou que o S-1 não anula o alargamento dos spreads de crédito observado na semana nem os sinais de pressão nas chamadas neoclouds. Na leitura dele, empresas de grande porte, como hyperscalers, a SK Hynix e a Anthropic, podem estar em situação melhor do que há duas semanas.

Um setor historicamente cíclico

Hyman recordou que o negócio de memória é historicamente muito commoditizado e cíclico: as fabricantes expandem a capacidade em excesso e depois recuam. Segundo ela, a reavaliação atual das ações está ligada à assinatura de contratos de longo prazo e à maior visibilidade de receita que as empresas têm hoje, algo inédito no setor. Um dos apresentadores comparou o fenômeno ao de uma mineradora como a Freeport-McMoRan, cujas ações disparam quando a demanda por cobre aumenta.

O mercado agora volta os olhos para a Samsung, maior fabricante de memória do mundo, que divulga resultados na sequência. Juntas, Samsung e SK Hynix dariam, segundo os apresentadores, um retrato abrangente do setor. Um deles acompanha o ETF Roundhill Memory, criado em abril, que acumula queda de 37% desde a máxima de junho. Os participantes ponderaram que o fundo fica muito exposto aos resultados de SK Hynix, Micron e Samsung.

Citando o investidor Gavin Baker, um dos apresentadores disse que a demanda por poder de computação para IA é tão forte que não consegue ser plenamente atendida, e que o aluguel de um cluster ficou mais caro do que seis meses atrás. Ele próprio ressalvou, porém, que a história evolui rapidamente e que o quadro pode mudar dentro de um mês.

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