FMI alerta para alta mais frequente de preços de alimentos e energia, e petróleo caro reacende temor de nova onda de inflação
Segundo Graham Stephan, custo do petróleo ainda não chegou por completo ao consumidor, enquanto o secretário do Tesouro dos EUA vê inflação em queda após o conflito no Irã
O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu nesta semana um alerta de que picos acentuados nos preços de alimentos e energia devem se tornar mais comuns. O aviso alimenta o receio, apontado pelo youtuber e investidor Graham Stephan, de que os Estados Unidos estejam diante de uma segunda onda de inflação, impulsionada pelo petróleo em patamar elevado.
Segundo Stephan, o mecanismo é conhecido: petróleo mais caro encarece frete, transporte e produção, e esse custo leva alguns meses para chegar ao consumidor. Na avaliação do apresentador, boa parte do preço de uma refeição depende de transporte, seja de carga, seja de navios e aviões, e isso torna os alimentos importados particularmente sensíveis. Quanto mais tempo o petróleo permanecer alto, afirma ele, mais cara tende a ficar a conta.
O que diz o Tesouro americano
Do lado do governo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirma que a economia está acelerando. Também sustenta que a inflação e os rendimentos dos títulos públicos, ou seja, os juros da dívida americana, voltarão a cair quando o conflito no Irã terminar.
Stephan reconhece que há argumento a favor dessa tese. Para ele, assim como o conflito começou rapidamente, pode terminar da mesma forma. Nesse caso, avalia, os obstáculos atuais aos preços se dissipariam e os ativos de risco poderiam subir com força, como, segundo ele, ocorreu após o anúncio da vacina e após o acordo tarifário. O apresentador menciona ainda a possibilidade de um acordo de 90 dias envolvendo o Estreito de Ormuz, que, em sua leitura, faria as expectativas de inflação recuarem rapidamente.
O apresentador é, porém, crítico das estatísticas oficiais. Ele admite que excluir alimentos e energia do núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) pode fazer sentido para fins de acompanhamento, já que esses itens são sazonais e voláteis. Mas afirma que a metodologia, incluindo a substituição de produtos quando um item fica caro demais, permite manipular os números, que considera pouco confiáveis. A recomendação dele é observar o gasto mensal da própria família.
Comparação com os anos 1970 e a desigualdade de patrimônio
Stephan comentou um gráfico, enviado por um analista de sua equipe, que compara a inflação atual à dos anos 1970 e sugere uma nova alta à frente, nos moldes do fim daquela década. O próprio apresentador ponderou que sobrepor gráficos históricos é um exercício pouco científico e que a repetição do padrão é possível, mas não garantida. Em sua avaliação, não haverá uma disparada tão grande da inflação caso o conflito se resolva.
O vídeo também aborda a concentração de riqueza nos Estados Unidos. Segundo o gráfico exibido, de 1990 a 2025 o patrimônio do 1% mais rico se distanciou fortemente do patrimônio da metade mais pobre da população. Stephan atribui o fenômeno sobretudo ao fato de os mais ricos concentrarem ativos como imóveis e ações, enquanto a base da pirâmide tem pouca renda disponível para investir. Ele ressalva que não é possível atribuir tudo à inflação: lucros recordes de empresas, o avanço da inteligência artificial e a maior participação de investidores de varejo também pesam.
Sobre o ouro, o apresentador diz que o metal pode compor uma carteira em pequena proporção, mas critica vídeos que usam o alarmismo para vender o ativo, lembrando os custos de ágio e a diferença entre preços de compra e venda. Para o investidor, o recado central é que o desfecho do conflito e o rumo do petróleo seguem como variáveis decisivas para inflação, juros e bolsas, e que cenários extremos ainda não se confirmaram.



