Inadimplência de famílias e empresas bate recorde com cinco anos de juros altos, aponta debate sobre dívidas

Segundo o podcast Os Sócios, 82% das famílias brasileiras estão endividadas e 84 milhões de pessoas estão inadimplentes; especialistas apontam orçamento e poupança como saída.

COMO NEGOCIAR SUAS DÍVIDAS E CONSEGUIR ATÉ 90% DE DESCONTO? Vídeo: Bruno Perini / YouTube · 942 visualizações

Oitenta e dois por cento das famílias brasileiras estão endividadas, patamar recorde, e 84 milhões de brasileiros estão inadimplentes, recorde histórico. Os números foram apresentados no episódio nº 321 do podcast Os Sócios, conduzido por Bruno Perini, com participação de Leanderson Reis e Thiago Hagui, e levantados pelos próprios participantes durante a conversa.

O quadro se estende ao crédito mais recente. Segundo os dados citados no programa, a inadimplência no consignado privado, modalidade criada há pouco tempo, já chega a 10%. Nessa linha, a parcela é descontada pela empresa e vai direto para o pagamento da dívida, sem passar pela conta do trabalhador, e mesmo assim há quem fique inadimplente. Entre as empresas, a taxa de inadimplência está no maior patamar em 15 anos, com 9,1 milhões de companhias nessa situação, de acordo com o levantamento citado.

Cinco anos de juros altos

Na avaliação do apresentador, o resultado reflete cinco anos de juros elevados. Ele lembra que a taxa Selic ficou em 15% por bastante tempo e que esse patamar é apenas o ponto de partida: é o que o governo paga a quem lhe empresta dinheiro. Para o crédito à pessoa física, o banco cobra bem mais do que isso.

Como exemplo, o debate citou uma taxa de 4% ao mês no consignado, mesmo com a garantia do desconto em folha. Na conta feita no programa, isso equivale a cerca de 60% ao ano. Segundo o apresentador, nenhum investimento rende de forma previsível esse percentual: mesmo o Bitcoin, em um ano muito bom, não oferece certeza, pois, nas palavras dele, ninguém tem bola de cristal. Por isso, avaliou, tomar crédito nessas condições para investir não vale a pena, e tomá-lo para consumir faz o dinheiro desaparecer, como na pizza pedida pelo iFood e paga com juros.

O caminho proposto: orçamento, acordo e poupança

Para quem já está endividado, um dos participantes dividiu a saída em etapas. A primeira é entender o padrão de vida atual: quanto se ganha, quanto se gasta e qual é o déficit. Em seguida, fazer escolhas de consumo. O exemplo dado foi o de quem pede comida três vezes por semana, cerca de 12 pedidos por mês: reduzir para duas vezes semanais já representaria corte de 30% nessa despesa.

Segundo o convidado, também é possível revisar apólices de seguro feitas sem critério de risco. A primeira meta, na visão dele, é chegar a um orçamento de zero a zero, sem déficit. Depois, a tarefa é gerar superávit.

É nesse ponto que entra a renegociação. Dívidas podem ser negociadas, seja com birôs de crédito, seja nos feirões realizados ao longo do ano. De acordo com o convidado, porém, é preciso ter poupança: com recursos em caixa, a capacidade de negociação é maior e as margens de desconto chegam a 80% ou 90%.

O último alerta foi comportamental. A procrastinação, disse o participante, leva a pessoa a deixar a decisão para a segunda-feira seguinte, e assim o ano vai se encerrando. A recomendação do grupo foi pedir ajuda a profissionais e decidir logo, ainda que o debate não detalhe etapas além das descritas.

Para o mercado, os números sugerem que o custo do crédito ao consumidor, combinado a juros básicos elevados, pesa sobre o orçamento das famílias e sobre a saúde financeira das empresas. A transcrição, no entanto, não traz projeções sobre bolsa, dólar ou contas públicas.

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