Musk diz que mercado de dívida fechou para empresas de IA sem outras receitas e cita captação de US$ 40 bi da SpaceX

Em resposta a Chamath, bilionário afirma que neoclouds enfrentam restrição de crédito; para Meet Kevin, o recado também serve de propaganda, mas o boom de chips segue.

The AI Debt Doom Loop Is About to Break Vídeo: Meet Kevin / YouTube · 783 visualizações

O mercado de dívida praticamente fechou as portas, nas últimas semanas, para empresas de data centers de inteligência artificial que não têm receita relevante fora desse negócio. A afirmação é de Elon Musk, em resposta ao investidor Chamath, e foi analisada pelo canal Meet Kevin, que a classificou como um recado de que o ciclo de investimento em chips segue de pé, mas só para quem tem caixa de outras fontes.

Musk disse ainda que a SpaceX fechou US$ 40 bilhões em dívida para comprar GPUs e que a empresa tem grau de investimento. Para o apresentador, essa é a frase central da publicação: a companhia não teve dificuldade para levantar recursos, o que indicaria que o boom continua, ainda que alguns participantes menores enfrentem problemas.

O problema das neoclouds

Segundo Meet Kevin, empresas como a CoreWeave dependem inteiramente de novas captações. O apresentador afirma que o problema não é o custo da dívida já emitida (entre 7,5% e 10% ao ano), mas o fato de a companhia não ter caixa para pagar suas contas sem levantar mais dinheiro. A CoreWeave, descrita por ele como "US$ 8 bilhões no vermelho", teria de competir com os títulos antigos, que perderam mais de 20% no mercado secundário e rendem cerca de 15%.

A lógica, explica o canal, é simples: quem quisesse emprestar à empresa poderia comprar o papel antigo, com yield de 15%, e só aceitaria um título novo se ele fosse mais atraente. Na avaliação do apresentador, é por isso que o crédito parece fechado para esse tipo de empresa. Ele contrapõe o caso da Nebius, que, segundo ele, tem balanço bem melhor que o da CoreWeave.

Meet Kevin também descreve o que chama de "doom loop" nos credit default swaps (CDS): a ação cai, os títulos caem, os rendimentos parecem maiores e mais investidores compram proteção, o que pressiona ainda mais ações e bonds. O apresentador observa que as neoclouds são basicamente data centers, sem receita de publicidade, assinaturas ou uma operação de consumo que sustente o grupo. Musk projeta que mais de 200 neoclouds passarão por morte e consolidação, e que poucas sobreviverão.

Interesse próprio e reação da Meta

O apresentador ressalva que a mensagem de Musk tem componente de interesse próprio. Em sua leitura, ampliar a pressão sobre as neoclouds pode facilitar a compra de ativos por grandes empresas: Microsoft, Amazon e Meta, diz ele, gostariam de adquirir mais 100 mil GPUs a preço baixo caso algum devedor sofra execução. Ele também vê na publicação uma oportunidade de promover a capacidade de captação da SpaceX, o que seria, segundo ele, boa propaganda para o Nasdaq 100. Meet Kevin afirma não ter exposição às neoclouds, mas ter posição em SpaceX e Meta.

No mesmo dia, a Meta anunciou um registro de prateleira (shelf filing), instrumento que, nas palavras do apresentador, permite vender ações de tempos em tempos. Segundo ele, o papel chegou a cair 4,5%, com mínima perto de US$ 610, mas se recuperou e passou a subir 2%. O canal cita ainda reportagem da Barron's segundo a qual a Meta poderia atrair a Berkshire Hathaway com conversíveis.

O que isso significa para o mercado

Para Meet Kevin, o episódio mostra que há dinheiro de sobra para financiar o ciclo de chips, desde que o tomador tenha outra fonte de receita. O apresentador reconhece que o mercado está nervoso, citando o Irã e outros catalisadores, mas avalia que o boom "está longe do fim" e "está apenas começando". Trata-se de uma avaliação do canal, não de um fato verificado, e não constitui recomendação de investimento.

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