Gasto eleitoral de até R$ 354 bilhões aquece consumo e deixa conta de inflação, juros e dólar para 2027
Segundo o canal Investidor Sardinha, 46 medidas do governo Lula injetaram dinheiro na economia antes do segundo turno; efeitos sobre preços devem aparecer em janeiro.
O pacote de medidas do governo Lula para disputar o segundo turno pode ter injetado até R$ 354 bilhões na economia em 2026, e a fatura inflacionária deve chegar em janeiro, segundo análise do canal Investidor Sardinha. O apresentador afirma que o aquecimento do consumo no fim do ano terá como contrapartida pressão sobre preços, juros altos e dólar mais caro.
O valor de R$ 354 bilhões corresponde ao cálculo do Estadão, que chamou o levantamento de gastômetro e contabilizou 46 medidas entre gasto direto, crédito e tributos que deixaram de ser cobrados. Outras estimativas citadas no vídeo são mais baixas: R$ 298 bilhões, do IFI (órgão do Senado), e R$ 290 bilhões, da Folha de S.Paulo.
Para onde foi o dinheiro
Entre as medidas listadas estão subsídio aos combustíveis (R$ 40 bilhões), isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 (R$ 31 bilhões), Desenrola 3.0 (R$ 15 bilhões), Bolsa Família com alta de 15% em 2026, Gás do Povo (R$ 5,1 bilhões) e Pix do MEI de R$ 5.000 (R$ 5 bilhões). O piso do Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691 em outubro, e o benefício médio por família, de R$ 675 para R$ 777. Houve ainda pagamento antecipado de benefícios entre 19 e 22 de outubro, quatro dias antes do segundo turno, com custo de R$ 22 bilhões a partir de 2027. O apresentador lembra que o governo de Jair Bolsonaro tentou estratégia semelhante na reeleição de 2022.
Segundo o canal, a mudança no Imposto de Renda coloca cerca de R$ 31,2 bilhões por ano no bolso de mais de 10 milhões de pessoas, que passam a ter de R$ 400 a R$ 500 a mais por mês. Pelo cálculo da CNC citado no vídeo, 54,5% do total deve virar consumo, com destaque para supermercados (R$ 4,2 bilhões), postos de combustível (R$ 1,7 bilhão) e farmácias (R$ 1,1 bilhão). Outros 33,6% devem ir para o pagamento de dívidas e 12% para poupança e investimentos.
O calendário ainda inclui o 13º salário para cerca de 90 milhões de pessoas, a Black Friday com expectativa de R$ 13 bilhões no comércio eletrônico (alta de 20% sobre 2025) e, em 1º de janeiro, o novo salário mínimo de R$ 1.741, reajuste de 7,4% que pressiona INSS, BPC, abono e seguro-desemprego.
A conta: inflação, dólar e juros
Na avaliação do apresentador, há dinheiro demais para produto de menos, já que a oferta não conseguiria acompanhar a velocidade do estímulo. A meta de inflação do Banco Central é de 3%, com teto de 4,5%, mas a projeção do IPCA de 2026 aparece em 5,19% e a de 2027 começa em 4,34%. Ele cita ainda a defasagem do diesel da Petrobras em relação ao preço de importação e o prazo de 30 dias do subsídio à gasolina, que venceria logo após a eleição.
O dólar, que fechava a sexta-feira anterior ao segundo turno a R$ 4,99, passou a R$ 5,60 depois do resultado, alta de 12% em um dia. Segundo o canal, produtos importados como trigo, remédios, eletrônicos e fertilizantes devem chegar mais caros entre 60 e 90 dias. O vídeo também menciona que o Tesouro cancelou leilões e que houve acionamento de circuit breaker pela primeira vez desde 2020.
Sobre os juros, o apresentador diz que a Selic de 13,75% não deve cair rápido: a previsão citada é de 13,25% no fim de 2026 e 11,75% no fim de 2027, cenário que pode nem se confirmar com inflação acima do teto e dólar elevado. Ele defende que o país discuta uma agenda econômica séria, com governo e oposição, e afirma que a conta não ficará com os bilionários.
O que muda para o mercado e o investidor
Na leitura do canal, o efeito mais imediato será sentido no comércio de bens de consumo diário, como alimentos, farmácia e combustível, com vendas puxadas por promoções de volume e pagamento à vista. O apresentador projeta novembro de dinheiro entrando, dezembro como pico do consumo e janeiro como o mês em que chegam os reajustes de mensalidade escolar, plano de saúde e transporte.
No campo dos ativos, o apresentador avalia que Tesouro IPCA+, prefixados, ETF de IPCA+ e produtos atrelados à Selic e ao CDI se beneficiaram do cenário, assim como empresas que repassam preços, como supermercados, farmácias, energia e saneamento. Segundo ele, a poupança, que rende 6,17% mais TR com inflação de 5,19%, deixa pouco ganho real, e quem apostou em prefixados longos, bolsa em alta, varejo endividado e construtoras sofreu perdas. Quem tinha dólar na carteira, diz, ficou 12% mais rico.
Para o consumidor, a mensagem do canal é priorizar o pagamento de dívidas com juros acima de 14% ao ano e evitar transformar o 13º em parcelas de 2027. Trata-se de análise do apresentador, e não de recomendação do jornal.



