Netanyahu diz que eleição foi roubada, enquanto EUA e Israel se preparam para nova ofensiva contra o Irã
Premiê israelense acusa partidos árabes de fraude em pleito sem maioria clara, e Washington orienta aliados do Golfo a se prepararem para uma campanha militar curta e intensa.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em uma publicação nas redes que a eleição israelense foi roubada por partidos árabes que, segundo ele, apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judeu. A acusação surge em meio a um impasse na formação de governo e na véspera de uma possível nova rodada de combates entre EUA, Israel e Irã, segundo reportagem exibida pela Fox Business.
No texto, lido pela apresentadora Sandra Smith, Netanyahu cita crimes graves, como suborno, ameaça e falsificação, e o uso de um software proibido para mobilizar eleitores. Ele classifica o episódio como um golpe duro à democracia israelense e ao direito de voto de seus cidadãos, e defende que as autoridades ajam com "punho de ferro" e de forma imediata. A transcrição não traz provas apresentadas pelo premiê.
Convidado do programa, o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, adotou tom mais cauteloso. Disse confiar que as autoridades investigarão o caso e chegarão às próprias conclusões. Reconheceu que houve algumas prisões no dia da votação, com dinheiro vivo encontrado em alguns locais e vilarejos, mas aconselhou esperar o resultado da investigação.
Impasse e formação de governo
Danon destacou a participação popular: quase 80% dos israelenses foram às urnas, o que, na avaliação dele, mostra a força da democracia do país. Segundo o embaixador, o partido do primeiro-ministro obteve um resultado muito bom, mas ele ainda precisa negociar para montar uma coalizão, processo que levará algumas semanas e, na estimativa dele, "pelo menos um mês".
Segundo a apresentadora, o presidente israelense começará consultas com os partidos na próxima semana antes de dar a um nome o mandato para formar o governo. Ela observou que Netanyahu poderia tentar um governo de unidade, mas que ele não parece interessado e pediu, na terça-feira à noite, um governo de direita forte. Danon alertou os adversários de Israel a não tomarem o período de transição como brecha: Netanyahu continua premiê, e as Forças Armadas seguem em seus postos.
Preparação militar e a negociação com Teerã
No plano externo, o Wall Street Journal informou, conforme relatou o correspondente Jeff Paul, que autoridades americanas pediram a vários países árabes do Golfo que se preparem para uma campanha militar curta e intensa, destinada a reduzir a capacidade do Irã e possivelmente forçá-lo a voltar à mesa de negociação. Segundo a reportagem, os preparativos visam dar opções ao presidente, e não há indicação de que Donald Trump tenha tomado uma decisão.
Os EUA já enviaram assistência adicional de defesa antiaérea Patriot ao Oriente Médio e devem deslocar mais um grupo de porta-aviões para a região. Questionado sobre os ataques, Trump respondeu: "Não posso dizer, mas tudo é possível". Ele também afirmou que o Irã espera pacientemente pela eleição americana, mas que o pleito não vai ajudá-lo. Em outra fala, citou possíveis alvos, entre eles Pickaxe Mountain e a ilha de Kharg.
Trump afirmou ainda que o Irã tem uma das maiores inflações do mundo, sob sanções e bloqueio de portos, e que muitos iranianos têm dificuldade para comprar itens essenciais. Mediadores relataram que o Irã recebeu um novo rascunho de acordo para encerrar o conflito, e a resposta de Teerã é esperada até o fim da semana.
O que observar
Para o mercado, o episódio combina duas fontes de incerteza: um quadro político em Israel que pode levar semanas para se resolver e a possibilidade de uma escalada militar no Golfo, região central para a energia global. A transcrição não traz números de mercado nem projeções econômicas, mas investidores costumam acompanhar de perto o desfecho da resposta iraniana ao novo rascunho e eventuais movimentos militares, por seu potencial de afetar o apetite por risco em bolsas, juros e câmbio.



