Bolsa tem pior dia em 28 anos após reeleição de Lula, e canal aponta o que separa oportunidade de armadilha

Segundo o Investidor Sardinha, o circuit breaker devolveu a euforia com Flávio Bolsonaro, mas o risco fiscal e a curva de juros seguem no centro do debate.

Como aproveitar a black friday do Lula? Vídeo: Investidor Sardinha / YouTube · 752 mil visualizações

O Ibovespa registrou o pior dia em 28 anos após a reeleição de Lula, com queda de 16% na máxima desvalorização e alta de 10% do dólar, segundo o canal Investidor Sardinha. O circuit breaker foi acionado às 9h57, e cerca de 35 mil pontos da bolsa evaporaram em uma hora, em um movimento que o apresentador compara ao de 1º de março de 2020, na pandemia.

Na mínima do dia, o índice chegou a 169,5 mil pontos, nível de agosto. Em 2 de outubro, antes do primeiro turno, estava em 192.138 pontos. Chegou a 207.190 pontos em 5 de outubro, com Flávio Bolsonaro à frente, e fechou a 205.083 pontos na sexta-feira, 23 de outubro. Na abertura do pregão após a eleição, marcava 172 mil pontos.

Para o apresentador, parte da queda é a devolução de uma alta anterior: o mercado já precificava a vitória de Flávio Bolsonaro, o chamado trade Flávio. Por isso, segundo ele, a comparação com outras quedas históricas deve ser feita com cautela. Entre os maiores recuos diários do Ibovespa, o canal lista o Plano Collor (21% em 21 de março de 1990), a moratória russa de 1998 (15,8%) e a pandemia (14,8% em 12 de março de 2020).

Quem mais perdeu e quem ganhou

As maiores perdas atingiram empresas que dependiam da expectativa de juros menores. Segundo o canal, Magalu caiu 55%, B3 48%, C&A 47%, Cosan 45%, Cyrela 43%, Assaí 42% e MRV 41%. Fora do índice, Simpar, EcoRodovias e Movida chegaram a recuar mais de 60%. Entre os bancos, XP perdeu 51%, Inter 38%, Banco do Brasil 31%, Bradesco 27%, Nubank 21% e Itaú 17%, enquanto o Santander caiu 4%. O apresentador ironizou a ideia de que banqueiros torcem por juros altos ou pelo governo: segundo ele, todos ficaram mais pobres no dia.

Petrobras caiu 12% (PETR4) e 10% (PETR3), amortecida, na avaliação do canal, pelo petróleo a cerca de 100 dólares. Subiram as exportadoras: Suzano 7,7%, Embraer 7,6%, Vale 6,3% e Klabin 3,7%. Segundo o apresentador, quem vende em dólar e produz em reais se beneficia do câmbio, o oposto do que ocorre com o varejo.

Juros longos e o temor fiscal

Os juros futuros também subiram. Segundo os números citados no vídeo, o DI 2033 foi de 12,7% para 14,6%. O apresentador afirma que o receio do mercado não é a figura de Lula, mas a conta: dívida, promessas de campanha sem receita nova e a ausência de corte de gastos. Ele destaca que o nome do ministro da Fazenda ainda é incerto, com o governador do Piauí, Rafael Fonteles, como o mais cotado, e que o Orçamento de 2027 será o primeiro teste. Segundo ele, a direita tem 59 deputados e 64 senadores, o que pode frear guinadas, mas também o ajuste.

O canal recorda 2002: o dólar saiu de 4 reais, no pico do medo, para 2,15 real no fim de 2006, e o Ibovespa foi de 8 mil para 42 mil pontos. Para o apresentador, o que mudou o cenário foi a nomeação de Henrique Meirelles ao Banco Central e o superávit primário: o mercado, diz, comprou o ajuste, não o presidente.

O que observar, segundo o canal

O apresentador defende separar o que caiu junto com o mercado do que caiu por fundamentos, olhar a dívida das empresas antes do preço, já que com a Selic a 13,75% empresa endividada não é barata, e evitar decisões por impulso, pois o circuit breaker mostra a força da venda, não o seu fim. Ele também cita que a renda fixa prefixada e atrelada ao IPCA passou a pagar mais.

Como termômetros, aponta o nome da Fazenda, o dólar acima de 5,50 reais e o DI 2035 acima de 14% por semanas, e a meta fiscal. Para o canal, desconto não é sinônimo de preço baixo. O conteúdo reflete a análise do apresentador e não constitui recomendação de investimento.

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